quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A lição do Big Brother da Rede Globo

Apesar de não assistir mais essa edição do Big Brother Brasil, organizado e veiculado pela Rede Globo de Comunicações, tenho que admitir que essa edição está nos dando muitas lições. Seres humanos confinados, tratados como espécimes em laboratórios, privados da noção de tempo, trocando o dia pela noite em virtude de festas psicodélicas, regadas a muito, muito álcool; submetidos a experiências comportamentais, sempre no limite do "amor" e do "ódio", inoculados pela busca de permanecer numa casa sob o olhar de milhões de brasileiros, em troca de uma pequena fortuna e de dez minutos de fama. Digo pequena, uma vez que a fortuna conseguida pelo canal distancia quilômetros do valor do prêmio oferecido. O jogo joga com as pessoas, que pensam ingenuamente que estão jogando o jogo, mas que não passam de marionetes das intenções capitalistas, colocadas como produto que se vende à varejo sob o voraz apetite daqueles que consomem esse tipo de produção cultural.
Não fosse o empobrecimento cultural oferecido como prato principal dessa ceia de banalidades, temos agora o desprazer da ciência desse último fato que ofende a dignidade da pessoa humana, atacando-a constantemente por conta de interesses econômicos, como quem julga que, por dinheiro, tudo vale a pena,  fazendo a alma pequena, até mesmo a degradação da riqueza dessa pessoa, despindo-a ou incentivando a uma nudez de valores verdadeiramente humanos para alcançar cifras monetárias. Por isso, culpabilizar apenas o rapaz envolvido no evento é, sem dúvida, fechar os olhos para o mal que esse canal de televisão tem feito à sociedade brasileira só com esse programa ao longo de doze edições. Demorou muito para acontecer algo do tipo. Os participantes, em grande parte desorientados, com os nervos à flor da pele, sabendo-se vigiados pelos olhos do Brasil e por isso instigados a construir um recorte social que ganhe a afeição do grande público, são abandonados e de certa forma penalizados por uma situação construída a muitas mãos, principalmente da Rede Globo que possui papel ativo no programa, manipulando através de festinhas e promovendo os confrontos dentro da casa.
Excluindo o rapaz, a referida emissora tenta esquivar-se da cumplicidade e mesmo da trama desse evento. Não uma trama consciente, é claro, mas que surge como um subproduto sob as condições e situações criadas como pano de fundo onde se desenrola toda trama dessa nave sem piloto e que acaba de colidir.

Glauco Kaizer

2 comentários:

  1. A manipulação que sofremos é brutal... e lutar contra essa correnteza requer um esforço que as vezes nos consome por inteiro... não precisamos procurar. todo esse lixo manipulador cai em cima de nós e as vezes não temos tempo nem pra entrarmos embaixo de uma marquise.. lutar contra ou ignorar a existencia..??!! Acho que a Biblia fala alguma coisa sobre conhecer o bem e não praticar.. e a mesma coisa de estar fazendo o mal (palavras minhas) enfim... esse é nosso século XXI.. essas pessoas confinadas e manipuladas ainda são chamadas de heróis em cadeia nacional...
    Heróis de que?? heróis pra que?? heróis de quem??

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  2. CRISTIANE CASTELO7 de março de 2012 17:22

    CONCORDO COM VOCÊ,AMADO!
    CRISTIANE CASTELO

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